Poetisa Eleita

…E sê assim, a poetisa eleita,
Canta nos teus cem biliões de versos
As mágoas e os livros certos,
As noites claras e o pranto caro,
Os muros altos e o desamparo…

Desce dessa torre esguia
Onde escondem a agonia
Do astro que flameja,

Esfria lá essa ardente arrogância,
Mata a fome, a cede e a ânsia
De sonetos súbitos ao relento,
Que nada e nada trás se não desalento.

Eu não sou Pablo, sou o carteiro,
O imperfeito poeta herdeiro
Das odes e volúpias por terminar,
O amante perdido, desconhecido,
Vendido nas mil tretas que escrevi
E que por três vezes não vivi.

Eles não sabem nada,
Nem se quer sabem, nem sonham que não é o sonho que comanda a vida,
Mas sim um poema sem rima nem métrica infértil, implorado a qualquer musa prosaica e doce,
Eles não sabem, e nós sabemos. Custe 30 dinheiros
Ou cem palmos de terra à sombra dos pinheiros…
Eles não sabem. E só nós sabemos.

Rui Batista
Julho de 2008
Nos comentários a este post: clique aqui, isto é, quer dizer, pode ser que seja um blog razoavelzito.

Anúncios

~ por Rui Batista em 16 de Agosto de 2008.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: