Apatia II

Enjoa-me a batida vulgar,
O êxtase tosco e banal
Da diversão social
A que se dedicam os surreais!

Confesso que me tolda a alma!
Quando aos pulos, vibrantes,
Se exibem espampanantes
A dançar ao som do trauma.

Viver assim é crime,
Crime só para mim que sinto
As dores alheias, que minto
Ao não sentido sujo e sublime,

Apenas as luzes me alegram.
Os espelhos móveis e tricolores
São o bálsamo, os fingidores
Dos murmúrios fartos que me sossegam….

E por fim saio, suspiro….
Aprecio a pureza pestilenta
Da cidade soada, a tormenta
E a boa esperança de vivências de delírio…

Gosto de vir à janela a contemplar
Os fantasmas desse outrora tão presente,
As ruas tépidas, vazias de gente,
As sombras duras que me tomam o luar.

Enjoam-me a piada engraçada, desgraçada,
A apatia moribunda e muda,
A ligeireza com que se desnuda
Uma mente comum e abandonada.

Enjoam-me a apatia e a impotência
De não viver num éden escuro,
Resguardado do mal e do puro
Instinto mau de sobrevivência.

Rui Batista
06/08/2008 02:16:43

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~ por Rui Batista em 6 de Agosto de 2008.

Uma resposta to “Apatia II”

  1. Gosto mesmo. Excelente.

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