Cortina Rasgada
Corres desalmada,
Despida, devassada,
Choras lúcida,
Louca, mórbida,
Confias na sorte,
No caminho e no norte
Alheio, pérfido, no devaneio
Febril, infantil,
Na desculpa da vontade
Roubada à virgindade,
Na infâmia do amor
E na glória do meu terror.
Sou fénix decapitada
E tortura imaculada
Nos rituais ausentes,
Sou o perfume inerte
E a mágoa que se verte
Das minhas lágrimas indigentes.
E tu só és cortina rasgada
E vidraça estilhaçada
E mosca moribunda
E folha de jornal queimada
E arco, e funda,
E sabre, e espada,
E morte reencarnada.

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